24 agosto 2006

Mozambique: Ao fim

Ao fim ficou a terra livre,

já livre, como no princípio estava,

mas hemos de arrancar as ervas

que sem semente más arrebentaram.

Terra a dentro, a dentro

sem fenecer,

as mãos cheias de esperança,

sempre de pé.

Não é a libertade, não,

obriga para o homem,

são os desejos da vingança,

o egoísmo e a fome.

Mar a fora, a fora,

barco, ontem de madeira

quiçá de ferro hoje,

de futuro e de paciência.

Rematou-se a escravatura,

não tremeremos nas cadeas.

Em todas as partes há Mondlanes,

em cada povo, em cada aldeia.

Não é a libertade

nem o desejo de ser alguém,

é desprezo

das almas doentes de poder.

Não haja luta, mais não,

não mais mortos e assassinos.

Haja paz forjada día a día

a golpe de suor e de martírio.

Não amanheçam mais días

penosos tres de fevereiro.

Não amanheçam

nem mar a fora nem terra a dentro.

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