Ao fim ficou a terra livre,
já livre, como no princípio estava,
mas hemos de arrancar as ervas
que sem semente más arrebentaram.
Terra a dentro, a dentro
sem fenecer,
as mãos cheias de esperança,
sempre de pé.
Não é a libertade, não,
obriga para o homem,
são os desejos da vingança,
o egoísmo e a fome.
Mar a fora, a fora,
barco, ontem de madeira
quiçá de ferro hoje,
de futuro e de paciência.
Rematou-se a escravatura,
não tremeremos nas cadeas.
Em todas as partes há Mondlanes,
em cada povo, em cada aldeia.
Não é a libertade
nem o desejo de ser alguém,
é desprezo
das almas doentes de poder.
Não haja luta, mais não,
não mais mortos e assassinos.
Haja paz forjada día a día
a golpe de suor e de martírio.
Não amanheçam mais días
penosos tres de fevereiro.
Não amanheçam
nem mar a fora nem terra a dentro.

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